Doença celíaca vai além da intolerância sensibilidade ao glúten e exige atenção médica especializada, afirma especialista da FBG

A doença celíaca é uma condição genética e autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, presente no trigo, centeio e cevada. Embora afete cerca de 1% da população mundial, no Brasil estima-se que aproximadamente 2 milhões de pessoas convivam com a condição, segundo a Câmara dos Deputados. No entanto, a maioria desconhece o próprio diagnóstico, tornando a subnotificação um dos principais desafios na identificação e no tratamento adequado da doença. O grande desafio é a dificuldade diagnóstica pela pluralidade dos sintomas e a falta de acesso a exames por grande parte da população.

Recentemente, o tema ganhou destaque durante o I Simpósio Internacional de Doença Celíaca, realizado pela Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, em 9 de dezembro de 2024. O evento reuniu especialistas renomados, como o professor Alessio Fasano, da Harvard Medical School, para discutir avanços no diagnóstico e tratamento da condição. Durante o simpósio, profissionais alertaram que a falta de estatísticas oficiais e de protocolos padronizados ainda dificulta o rastreamento da doença, impactando diretamente a saúde e a qualidade de vida de muitos pacientes.

Segundo a especialista, Danielle Kiatkoski, médica gastroenterologista da FBG e Diretora Científica do IBREDOC, a distinção entre doença celíaca e sensibilidade ao glúten é essencial para evitar confusões e garantir um diagnóstico preciso. “Enquanto a sensibilidade ao glúten pode causar desconfortos gastrointestinais sem gerar danos permanentes, a doença celíaca é uma condição autoimune grave que, se não tratada, pode levar a desnutrição, osteoporose e até aumentar o risco de câncer intestinal”.

A Dra. Kiatkoski ainda reforça que muitas pessoas acabam adotando dietas sem glúten sem necessidade, ou pior, negligenciam sintomas que poderiam indicar uma condição mais séria. “Essa falta de conscientização pode retardar o diagnóstico e colocar a saúde do paciente em risco”, finaliza. Jamais se retira o glúten sem investigação prévia para descartar a Doença Celíaca e assim evitar complicações futuras.

Avanços no diagnóstico têm facilitado à detecção precoce da doença celíaca, ampliando as chances de um tratamento eficaz. Exames de sangue mais precisos e biópsias intestinais são hoje as principais ferramentas para confirmar a condição. Ainda assim, especialistas defendem a necessidade de ampliar a educação nutricional e conscientizar restaurantes e escolas para garantir opções seguras para pacientes celíacos.

O impacto da doença celíaca vai além da alimentação. Muitos pacientes enfrentam desafios emocionais e sociais durante a adaptação à dieta isenta de glúten, especialmente diante do alto custo e da falta de regulamentação rigorosa para evitar contaminação cruzada nos alimentos. Para o Dr Aureo de Almeida Delgado, atual presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, é essencial que o mercado de produtos sem glúten evolua para garantir não apenas segurança alimentar, mas também acessibilidade econômica.

Com uma condição que envolve tantas particularidades, é essencial que pacientes e familiares busquem orientação médica especializada para obter um diagnóstico preciso e construir uma rotina segura e equilibrada. É importante destacar que condições de saúde que exigem dietas restritivas requerem acompanhamento nutricional e psicológico. A conscientização, aliada aos avanços na medicina e na indústria alimentícia, é a chave para que pessoas com doença celíaca possam viver com mais segurança e qualidade de vida.